mamute branco
Lara Rüter
você quer bobagem, aqui, agarra sob a pele
de elefantes esfacelados no holoceno. mergulhe
na carne úmida, abra-a. engrenagem
à margem. agarre o vazio do crânio, grite: nada!
dentes se esfarelam como capim sem talo.
mão de verão. o ranger da foice de marfim
arrepia a pelugem nas costas. tome mamute,
como agasalho, tome o corte da era glacial
um vestido de noiva. mofado. viaje e arroz ao passado
terra de lascas de ossos. você faz os rastros, trêmula
noiva-elefante. sente o macio à sua frente, pela cria
inventado, teu vestido no entanto cheira forte a miss dior.

