Correnteza
Ingeborg Bachmann (1926-1973)
Tão longe na vida e tão perto da morte,
o que a ninguém é matéria de debate,
arranco da terra a minha própria parte;
cravo no coração deste oceano calmo
a quilha e deixo me levar pela corrente.
Vôo de aves de estanho, o cheiro de canela!
Sigo sozinha com meu assassino, o tempo.
Em êxtase e azul tecemos nossa crisálida.

