Árvore antiga
Paul Zech
Eu, árvore antiga,
só posso ser seu descanso,
descansa, rapaz.
Nos seus sonhos
incidem todos os astros,
que deixei pra trás.
E se aqui na folhagem
coalharem prateados,
pra mim deixa o pó
e as aranhas encantadas.
Logo estará no espaço
sobre todas as coisas,
a árvore,
que canta os astros...
Eu apenas seu sonho.
Paul Zech (1881, Briesen – 1946, Buenos Aires) tinha o costume de inventar fatos sobre a sua vida. Praticamente todas as biografias resumidas que se encontram em antologias, histórias da literatura, dicionários, sinopses e similares contêm inúmeras imprecisões ou fantasias criadas pelo autor. Fato é que foi um dos expoentes da poesia expressionista alemã, um dos tradutores mais originais de Arthur Rimbaud e François Villon e um contumaz ladrão de obras raras. O poema traduzido foi retirado da coleção de poemas escritos durante seu exílio argentino, Árvores junto ao Rio de la Plata, publicada pela primeira vez em 1935.


